sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Próxima semana: O Guarani, de José de Alencar


Livraria Almedina Atrium Saldanha
LITERATURA BRASILEIRA – ESTADOS DE ALMA
Fidelidade - O Guarani, de José de Alencar
10 de Setembro, às 19:00 horas
Moderação: David Oscar Vaz

Esta é a obra a ler para a próxima semana. Apareçam na Almedina do Saldanha que não se vão arrepender.

A CHAVE - Rui Herbon



Xadrez = Vida = Xadrez ?

Este autor foi-me dado a conhecer, com grandes elogios, pelo meu amigo JS; A leitura do livro não defraudou as minhas expectativas.
A citação de Jorge Luís Borges, apresentada na epígrafe, não revelando, para além da influência daquele autor, o que vamos encontrar denuncia que vem aí uma história diferente.
De facto, o final, não sendo surpreendente, é absolutamente fantástico e deverá levar o leitor à reflexão sobre a Vida e o seu significado.
Jovem escritor, Rui Herbon merece a leitura da sua obra completa.
Uma excelente descrição deste livro encontra-se no texto de Teresa Sá Couto, que serviu de base à apresentação, que poderá ser encontrado aqui.

domingo, 26 de julho de 2009

Não Há Crimes Perfeitos ?

Há dias assim: apetece descontrair com um livro mais ligeiro.

Isto a propósito da feira do livro do Continente, onde encontrei o livro que dá título a este Post e que, após folheá-lo, decidi que o tom da escrita poderia dar uns momentos de riso descomprometido.

Estamos perante um autor que mostra uma boa relação com a escrita e que se entretém a "falar" directamente para o leitor.

O primeiro personagem principal - Carta Branca - é de um humor simples e directo, o que leva a uns momentos de leitura onde o riso é natural.

Dos diversos conhecimentos, que Carta Branca espalha no livro, dois têm de ser retidos:
  • A adoptar no meu local de trabalho: G.P.O. (É favor ler o livro para saber o que é);
  • Ter atenção às designações dadas a departamentos ou serviços: estes serão designados pelas suas iniciais (e depois lá vêm as confusões).
A imagem do investigador frio, duro e descrente em Deus é abalada pela ternura que Carta Branca tem pela avó (isto, claro, lendo sem ironia o apelo de Carta Branca aos aforismos da ternurenta senhora).

Quanto ao outro personagem principal - Bonifácio - é apenas mais um "Bom Malandro" (*1) dos que andam por aí a tentar imitar os "Malandros do Costume" (*2).

Quanto a D. Perpétua: paz à sua Alma.

De resto, sem estarmos perante uma obra maior, o livro proporciona uma tarde de praia descontraída e bem humorada.

(*1) - Espero que o Mário Zambujal não afine com a utilização do termo.
(*2) - Não sei quem possa afinar com a utilização deste termo por desconhecer o autor, mas, desde já, fica aqui a confissão que aquele não foi inventado por mim, pelo que qualquer conotação política do mesmo não é da minha exclusiva responsabilidade.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Combateremos a Sombra


Que sombra ?
A Realidade foge-nos e e toda a nossa luta não alcança os responsáveis mas apenas as suas sombras.
Mas a Esperança fica e sabemos que só o combate nos permitirá alcançar um outro viver.
Não vou vaguear pelas páginas nem pela leitura que fiz deste romance para não correr o risco de frustrar prazers alheios.
Leiam, opinem e recomendem.

domingo, 17 de junho de 2007

Jerusalém na Lusitânia

Da série de "livros negros" de Gonçalo M. Tavares este Jerusalém inquieta-nos por a estranheza destas histórias nos parecer tão familiar na vida quotidina.
Procurar um "ciclo do mal" na vida da Humanidade, como quem afirma que a História se repete, tentando reduzir o ser Humano a um objecto de análise estatística, o que permitiria prever os "maus-ciclos" e prevenir as suas consequências, apresenta-se tão absurdo como ameaçador.
Absurdo porque, apesar dos horrores e destruição que tem provocado, a Humanidade tem maior riqueza do que aquela que se possa reduzir a fórmulas matemáticas, por mais complexas que sejam, onde nem tudo é previsível ou racional. Felizmente.
Ameaçador porque se GMT descobriu que Theodor Busbeck o queria fazer então alguém pensará assim e poderá arrastar crentes consigo.
Mas o autor vai tentar mostrar-nos o contrário através dos restantes personagens, fazendo-nos crer que a riqueza da vida está na sua própria complexidade e na tentativa de a compreender, o que nos pode levar à loucura.
Aliás este é um livro que, numa primeira leitura, parece tratar da loucura, mas que no fim, a meu ver, trata do medo.
O medo nas suas diversas formas, enquanto inibidor do melhor que a Humanidade tem e catalizador do pior de que somos capazes.
Depois deste livro, tenho dúvidas se a loucura não é apenas fruto do medo.
Sem que saiba bem porquê, não pude deixar de associar o tema deste livro ao actual clima do país, onde a loucura e o medo se parecem ter instalado em todos os níveis da sociedade: governantes que debitam discursos insanos sobre desertos, para tentar justificar (mal) decisões, funcionários superiores que apoiam (se é que não fomentam) a denúncia (o que indirectamente é um convite ao espiar do "outro") e consomem dinheiros públicos com processos, que nenhum valor trazem, porque alguém sob as suas ordens pertence à "cadeia nacional de divulgação das anedotas governamentais", juízes que condenam pais adoptivos, que o são por omissão e fuga do pai biológico, a anos de prisão por amarem uma criança, e a lista poderia continuar.
É por isto que acho que temos um "Jerusalém na Lusitânia".
Mas no próximo dia 27 de Junho o Gonçalo M. Tavares lá estará na Comunidade de Leitores da Almedina para nos elucidar.
Entretanto leiam e apreciem.
Já agora aproveitem os Jardins da Gulbenkian para ler, o ambiente é ideal.